Rita caiu da rede
Texto: Guarim Liberato Jr.
Fotos: Roni Carvalho
A rede de Rita Queiroz se rompeu e ela caiu no chão. A ruptura dos fios de algodão, surrados pelo tempo, provocaram uma inquietação criativa na artista plástica, que resolveu revelar nos panos velhos de sua vida, nos retalhos de seu dia-a-dia e nos lençóis de sua intimidade, a complexidade simples e profunda de sua arte.
As obras estão expostas na galeria de artes da Casa de Cultura Ivan Marrocos, no Centro de Porto Velho, até sexta-feira, e como a própria artista define, fecham um ciclo em sua trajetória. “Resolvi reciclar as minhas coisas pessoais de uma vida inteira na forma de arte, e dessa forma encerro mais um ciclo na minha carreira. Agora terei que me reinventar, me reciclar também para continuar pintando”, fala a artista.
Na galeria, essa reinvenção já se manifesta na obra de Rita, como elo transitório para uma outra dimensão da artista. Duas instalações e oito lençóis, que servem de tela para as obras mais introspectivas de sua trajetória, levam o expectador para dentro o imaginário da artista e de seu cotidiano.
Um vitral com motivos amazônicos esconde a sala de estar da artista, e uma canoa carrega um pouco de sua história, de suas andanças pelo beiradão do Madeira, de suas caminhadas pelas picadas da vida.
Na ruptura criativa dos fios de sua rede, nas pinceladas luminosas em seus lençóis, e na ligação dos elos de sua obra, a artista se expõe numa verdadeira ‘descamação celular’ e revela toda sua plenitude, mística e incompreensível.
E, de tanto intisicar os mitos da Amazônia, Rita se faz lenda, mais uma lenda viva do beiradão.
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