O futuro que queremos nós mesmos temos que fazer


Saímos da Rio+20 com a certeza de que a agenda do desenvolvimento sustentável, que pressupõe o crescimento econômico via economia verde, com erradicação da pobreza, inclusão social e cuidados ambientais, está longe ser um compromisso sério a ser assumido pelos países membros da ONU. As nações se fecharam em seus umbigos, os países mais ricos não quiseram colocar a mão no bolso e a idéia de uma governança global para o desenvolvimento sustentável perdeu força, pelo menos por enquanto. O ativismo ambiental também não é mais o mesmo. Na Cúpula dos Povos e nas ruas do Rio nestes dias de conferência, movimentos sociais de outras cores e bandeiras chamaram muito mais a atenção do que os verdes ambientalistas.
Professores em greve, índios, povos das montanhas, pescadores, agricultores familiares, sem terras, mulheres, gays e jovens com muitas ideias e os novos movimentos sociais aproveitaram a exposição midiática do evento para mostrar sua mensagem ao mundo. Um grupo de ONGs que lutam pela PAZ levou um tanque de guerra coberto de pães ao Morro Dona Marta e para o Riocentro, para cobrar a redução de investimentos militares pelos governos. Uma ONG japonesa fez protestos criativos contra a energia nuclear. Um grupo de jovens se manifestou em favor da descriminalização das drogas e pequenos agricultores protestaram contra o controle das sementes pelas grandes multinacionais e o agronegócio aproveitou para se vestir de verde.
A sustentabilidade de fato virou um tema transversal e aquele ambientalismo xiita perdeu espaço. As mulheres chamaram muito mais atenção do que funcionários e militantes do Greenpeace em seu barquinho de luxo. Feministas de todo o mundo ocuparam o aterro do Flamengo e o Riocentro de peito aberto e à mostra pela igualdade de gênero e os direitos reprodutivos. Vaiaram Dilma (mesmo que de forma silenciosa, com cartazes) e apontaram o dedo contra o Vaticano, como a eterna pedra no sapato contra os direitos reprodutivos.
Se o documento final não agradou, pelo menos a agenda da sustentabilidade se tornou mais plural, com outras visões, outros olhares, com muito mais diversidade! O romantismo e as ilusões acabaram. Restou a utopia. Temos sim muito a comemorar sobre a Rio+20. A mobilização dos povos, a conscientização do público alcançado pelas mensagens midiáticas e o trabalho de formiguinha de cada grupo, de cada movimento, contam mais do que um documento final assinado por chefes de Estado, que vão e passam sem se dar conta do que poderiam ter feito a diferença. O futuro que queremos, nós mesmos temos que fazer!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

BR-319 - 50 anos de atraso no coração da Amazônia

Senado aprova recursos para reconstrução da BR-319

SAIBA MAIS SOBRE O LICENCIAMENTO AMBIENTAL PARA RECONSTRUÇÃO DA BR-319